Tecnologias interativas da web social para a criação de ambientes virtuais de aprendizagem

Com a ascensão da web social e acessibilidade à informação (ou o dilúvio informacional do qual nos fala Pierre Lévy) é impossível querermos imaginar uma educação “unblended” (Moreira & Horta,2020), ou seja, nós não podemos dissociar os diferentes ambientes de ensino-aprendizagem. Como selecionar ferramentas e plataformas a fim de criar ambientes que favorecem um processo de inovação sustentada na Educação é o que nós vamos discutir neste artigo.  


Tecnologias interativas da web social para a criação de ambientes virtuais de aprendizagem

Dando continuação aos nossos estudos sobre Educação Digital e Ecossistemas de Aprendizagem em Rede cabe discutir como integrar as diferentes tecnologias, ferramentas, metodologias e modelos de ensino para criar ambientes férteis para a reflexão e a geração do conhecimento.

Ensinar não é transferir conhecimento” (Freire, 2001), mas criar oportunidades para uma aprendizagem significativa. Acredito que a pedagogia freiriana esteja mais atual do que nunca, pois na Era da Informação, o conhecimento está na rede e a questão não é se devemos, mas como podemos combinar os diferentes espaços, metodologias e tecnologias no processo de ensino-aprendizagem (Moreira & Horta, 2020) que não está mais sob o domínio exclusivo das instituições de ensino formal, mas na rede.


Educação e ambientes híbridos de aprendizagem: um processo de inovação sustentada

O artigo "Educação e ambientes híbridosde aprendizagem: um processo de inovação sustentada" (Moreira & Horta, 2020) discute a importância da implementação de ambientes híbridos de aprendizagem na educação como uma forma de inovação sustentável.

Os autores apresentam um panorama das mudanças na educação ao longo dos anos e como a tecnologia tem sido uma ferramenta importante nesse processo. Eles destacam que a aprendizagem híbrida, que combina o ensino presencial e o online, é uma forma eficaz de engajar os alunos e promover a aprendizagem significativa, afirmando que:

“Mais do que a integração de ambientes físicos e virtuais de aprendizagem, a educação híbrida deve afirmar-se como um conceito de educação total caracterizado pelo uso de soluções combinadas, envolvendo a interação entre diferentes modalidades, abordagens pedagógicas e recursos tecnológicos”

Ou seja, pensar a educação híbrida é pensar em integrar e não dividir o espaço-tempo de formação entre o analógico e o digital, o presencial e o virtual, on e offline, atores humanos e não humanos.

Neste sentido, os autores sugerem “repensar o paradigma educacional onde a comunicação possa assumir um papel fulcral unindo e aproximando atores humanos e não-humanos” (p.6).

Ao centrarmos o processo na comunicação e não no professor, aluno, conteúdo ou tecnologia abrimos espaço para a interação, a troca, a colaboração, a conexão, pontos essenciais nas pedagogias socioconstrutivista e conectivista

Os autores também apresentam exemplos de instituições de ensino que implementaram ambientes híbridos de aprendizagem e discutem os benefícios dessa abordagem, como a flexibilidade para os alunos, a personalização do aprendizado e a redução de custos para as instituições.

O artigo também destaca a importância da inovação sustentável na educação e como os ambientes híbridos de aprendizagem podem contribuir para esse processo, desde que implementados de forma adequada.

Para os autores, a possibilidade de inovação sustentável na educação híbrida vem do conceito de híbrido que une novas e antigas tecnologias possibilitando assim, a ligação entre “o melhor dos dois mundos” aliando vantagens do ensino presencial às do ensino online.

No entanto, os autores alertam e todos compreendemos que a implementação de ambientes híbridos de aprendizagem deve ser feita de forma planejada e estratégica, levando em consideração as necessidades dos alunos e dos professores, além de garantir a qualidade do ensino e da aprendizagem.

Portanto, precisamos nos perguntar também, quais pressupostos e critérios devemos considerar para a escolha de plataformas e tecnologias a serem utilizadas no processo de ensino-aprendizagem.


Quais os pressupostos e critérios para selecionar as plataformas e as tecnologias digitais?

A Educação não é uma ciência exata e portanto, não há uma equação perfeita que nos permita escolher as plataformas e tecnologias digitais que nos permitirão arquitetar um ecossistema propício para o processo de ensino-aprendizagem.

Contudo, no artigo "Handbook of Emerging Technologies for Learning", Siemens & Tittenberger (2009) nos apresentam alguns pressupostos e critérios que podem nos ajudar a selecionar as ferramentas mais adequadas para cada contexto educacional.

Neste artigo vimos uma análise dos autores sobre o uso de tecnologias emergentes no processo de aprendizagem, mostrando como as tecnologias digitais têm mudado a forma como aprendemos e ensinamos, assinalando que a educação precisa acompanhar essas mudanças para se manter relevante.

Os autores apresentam uma lista de tecnologias emergentes, como jogos eletrônicos, podcasts, blogs, redes sociais, discutem seus impactos na educação quando utilizadas para promover a colaboração, a interatividade, a personalização do aprendizado, tornando o processo de ensino e aprendizagem mais eficiente e acessível.

Siemens e Tittenberger (2009) destacam que “aplicar tecnologias sem pensar em como elas se encaixam no ambiente de aprendizagem pode ser desastroso”, daí a necessidade de analisar o contexto e utilizar pressupostos e critérios a partir dos objetivos de aprendizagem a fim de selecionar as plataformas e as tecnologias digitais mais adequadas para desenvolver o processo de ensino e aprendizagem.

A Professora Sônia Cotrim, autora do blog Ambientes Virtuais em Foco resumiu com propriedade esses pressupostos e critérios:

  • Objetivos de aprendizagem: as plataformas e tecnologias digitais selecionadas devem estar alinhadas com os objetivos de aprendizagem estabelecidos;
  • Características dos alunos: é importante levar em consideração fatores como idade, nível de habilidade tecnológica, disponibilidade de acesso à internet, entre outros;
  • Recursos disponíveis: deve-se considerar os recursos como orçamento, infraestrutura tecnológica e suporte técnico;
  • Interatividade/ Facilidade de uso: as plataformas e tecnologias digitais selecionadas devem permitir uma interação efetiva entre alunos e professores, bem como entre os próprios alunos, portanto devem “ser fáceis de usar” e acessíveis para todos os usuários, valorizando a centralidade no processo comunicacional (Moreira & Horta, 2020);
  • Flexibilidade: as plataformas e tecnologias digitais devem ser flexíveis o suficiente para permitir ajustes e adaptações, durante o processo de ensino e aprendizagem;
  • Segurança e privacidade: as plataformas e tecnologias digitais selecionadas devem garantir a segurança e privacidade dos dados dos usuários, em conformidade com as leis de proteção de dados aplicáveis - LGPD (Brasil) e o RGPD (União Europeia);
  • Integração: as plataformas e tecnologias digitais selecionadas devem ser capazes de se integrar com outras ferramentas e sistemas (princípio da interoperabilidade).

A partir desses pressupostos e critérios nós podemos, mais uma vez perceber, que não é a tecnologia em si que promove a inovação na educação, mas como elas serão integradas para facilitar o processo de ensino-aprendizagem.


Não é a tecnologia em si que promove a inovação na educação

Analisar, selecionar e testar essas ferramentas exige um nível de maturidade didática e digital que ainda não é a realidade de grande parte dos docentes em atividade.

Neste momento, podemos voltar a Freire (2001), lembrando que “ensinar exige consciência do inacabamento” e que portanto, faz parte do ofício de ensinar também o de aprender.

Assim como podemos argumentar que os professores estão sobrecarregados, que os governos não investem em recursos para a Educação e nem na formação docente.

Ainda temos um longo caminho a percorrer e acredito que a tomada de consciência de que a inclusão de ferramentas digitais no processo de ensino-aprendizagem não exclui a presença e a interação humana, pode ser um bom start para as mudanças que ansiamos e necessitamos.

A websérie Irreversível: o aprender protagonista promove um debate entre professores, gestores educacionais e especialistas discutir questões atuais no Ensino Superior (mas serve para a reflexão nos mais diferentes níveis de ensino) como o perfil dos estudantes, as exigências do mercado, a necessidade de flexibilização dos processos assim como dos currículos.


Como a tecnologia pode nos auxiliar neste processo também está entre os temas abordados da websérie, é claro.


E você? Como se sente frente às mudanças irreversíveis que estão acontecendo na nossa sociedade na velocidade estonteante das inovações tecnológicas no século XXI?

Deixe seu comentário e participe desse debate pois ele pertence a todos nós, cidadãos da Era Digital.  


Referências: 
FREIRE, P., & MACEDO, D. (2001). Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2002. 
Moreira, J. A., & Horta, M. J. (2020). Educação e ambientes híbridos de aprendizagem: um processo de inovação sustentada. Revista UFG20, 1-29.
Siemens, G., & Tittenberger, P. (2009). Handbook of emerging technologies for learning (p. 65). Canada: University of Manitoba.


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

4 autores para entender a Educação a Distância no Brasil

Netiqueta no Ensino a Distância: boas práticas de comunicação online

ePortfólio | Processos Pedagógicos em eLearning